Baú do Maga

Durval de Souza

Durval de Souza

DURVAL DE SOUZA [1928 Matão/SP — 1982 São Paulo/SP]
Durval de Souza é um dos maiores nomes de tv brasileira. Foi contrarregra, tradutor, dublador, narrador, produtor, diretor, ator dramático, humorista e comediante.

Durval de Souza, o faz-tudo da tv

Durval de Souza, o faz-tudo da tv

Começou na televisão em 1952 na TV Record, atendendo a convite de um colega que cursava com ele a Escola de Arte Dramática de São Paulo, onde ambos eram alunos de Adolfo Celli e Ziembinsky. Trabalhando inicialmente atrás das câmeras como contrarregra, ele não tardou a a passar também para a frente das lentes, tendo sido convidado a interpretar papéis dramáticos.

1954 - Durval de Souza e a apresentadora Rosa Maria

1954 – Durval de Souza e a apresentadora Rosa Maria

1956 - Durval, o contrarregra

1956 – Durval, o contrarregra

1957 - Durval de Souza no comando do programa Big Show Peixe

1957 – Durval de Souza no comando do programa Big Show Peixe

E  em 1953 Durval já recebia seu primeiro Troféu Roquette Pinto [o Oscar da tv e do rádio, na época] como revelação do ano. Ao todo foram 5 troféus Roquette Pinto: um como melhor teleator humorístico e três como melhor produtor de programas infantis.

1957 - O Estado de S. Paulo

1957 – O Estado de S. Paulo – Durval, o melhor teleator humorístico de 1956

1964 - Intervalo - Durval, o melhor produtor infantil de 63

1964 – Intervalo – Durval, o melhor produtor infantil de 63

Seu primeiro programa solo foi “Durval, o garoto-propaganda”, em 1956.1956 Durval o garoto propaganda

1957 - Durval ensaia "Durval, o garoto-propaganda" juntamente com o cantor  Luiz Vieira e o ator Gabrielo Paone

1957 – Durval ensaia “Durval, o garoto-propaganda” juntamente com o cantor Luiz Vieira e o ator Gabrielo Paone

1957 - Revista do Rádio

1957 – Revista do Rádio

Foi Durval o idealizador, produtor e diretor de um dos primeiros programas infantis: a Grande Gincana Kibon. Tendo também produzido outro famoso programa: o Pulmann Jr.

1963 - Folha de São Paulo

1963 – Folha de São Paulo

1967 Revista Intervalo

1967 Revista Intervalo

Incentivador da música como ferramenta de ensino, produziu e dirigiu nos anos 60, o Concurso de Bandas e Fanfarras entre as escolas do estado de São Paulo. Durval de Souza sempre foi muito querido por todos aqueles que com ele compartilhavam os bastidores e as cenas na televisão.

O ator Gabrielo Paone, o diretor Nilton Travesso, Durval de Souza e Pimentinha (o ator Valter Seyssel)

O ator Gabrielo Paone, o diretor Nilton Travesso, Durval de Souza e Pimentinha (o ator Valter Seyssel)

A maquiadora Ana e Durval de Souza

A maquiadora Ana e Durval de Souza

Eclético, Durval de Souza era capaz de interpretar um personagem dramático como Lampião  e com a mesma desenvoltura interpretar um lorde inglês ou um delicado costureiro francês. 

1956 - Durval de Souza em papel dramático

1956 – Durval de Souza em papel dramático

1956 - Durval em "550 Km atrás"

1956 – Durval em “550 Km atrás

Durval de Souza estrelando em "My Darling"

Durval de Souza estrelando em “My Darling”

Durval de Souza em "Histórias que a vida escreve"

Durval de Souza em “Histórias que a vida escreve”

Durval de souza em "A Cidadela"

Durval de souza em “A Cidadela”

Durval no elenco do programam Première

Durval no elenco do programam Première

Durval de Souza podia ser um ator sério...

Durval de Souza podia ser um personagem dramático…

... um personagem infantil como um mágico...

… um personagem infantil como um mágico…

... um personagem humorístico como o próprio diabo...

… um personagem humorístico como o próprio diabo…

... ou até mesmo fazer uma imitação da amiga Hebe Camargo.

… ou até mesmo fazer uma imitação da amiga Hebe Camargo.

Participou, ora como “escada” ora como comediante, dos shows de maior sucesso nos anos 60/70. Na TV Record : O Abre-Alas, Show 713, Papai Sabe Nada (com Renato Côrte Real), Grande Show União (com Consuelo Leandro), Grande Show Rivo, Horário Nobrega, Chico Anysio Show, Praça da Alegria e Família Trapo, onde substituiu Jô Soares, fazendo o mordomo francês Bernard Taillan. Na TV Tupi: Bacará 76, Domingo Alegre e Os Trapalhões com quem migrou para a TV Globo, sendo esse o seu último trabalho. 

Durval em três momentos diferentes da comédia

Durval em três momentos diferentes da comédia

1958 - Grande Otelo e Durval de Souza

1958 – Grande Otelo e Durval de Souza

1962 - Pimentinha, Selmy  Oliveira e Durval de Souza - Show 713

1962 – Pimentinha, Selmy Oliveira e Durval – Show 713

1963 - Cosneulo Leandro e Durval - Grande Show União

1963 – Consuelo Leandro e Durval – Grande Show União

1965 - Rony Rios, Durval e Waldecyr Monteiro

1965 – Rony Rios, Durval e Waldecyr Monteiro

1965 - Durval e Renato Côrte Real em Papai Sabe Nada

1965 – Durval e Renato Côrte Real em Papai Sabe Nada

Durval de Souza no elenco de Chico Anysio Show

Durval de Souza no elenco de Chico Anysio Show

Durval de Souza em "Horário Nobre...ga" com Manoel de Nóbrega

Durval de Souza em “Horário Nobre…ga” com Manoel de Nóbrega

Durval integrou o elenco de "CEará Contra 007", a primeira novela humorística da tv

Durval integrou o elenco de “CEará Contra 007″, a primeira novela humorística da tv

Mas foi sua performance com Hitler a sua marca registrada. Durval fazia um Hitler melhor que o próprio Hitler. Tanto é que ao participar da novela humorística Quem Bate, em 1965, apesar de ser uma imitação numa comédia, o jardim de sua casa várias vezes amanheceu bombardeada por ovos lançados por telespectadores, numa espécie de vingança contra o ditador austríaco.Capa 149 - Zeloni e Durval 2 Quem Bate - Renato Côrte Real - Zeloni - Durval

Foto histórica cedida pela filha Regina de Souza: Adoniran Barboca, Renato Côrte Real e Durval de Souza

Foto histórica cedida pela filha Regina de Souza: Adoniran Barbosa, Renato Côrte Real e Durval de Souza

Existe na televisão uma cena folclórica com várias versões apontando vários protagonistas. Mas, mais de uma fonte, me confirmou ter sido Durval de Souza o primeiro protagonista. Quando em 1952 Durval começou a trabalhar na TV Record, ali o diretor-geral era ninguém menos que Dr Paulo Machado de Carvalho. Um dia, o telefone tocou na sala de produção onde o atarefado Durval trabalhava. Ele atende:
— Alô?
— Por favor, eu preciso falar com fulano de tal.
— Ele não está no momento.
— Então, por favor, vá procura-lo.
— Agora não posso. Tou muito ocupado.
— Mas eu preciso falar urgente com ele.
— Liga mais tarde, que agora não dá.
— Escuta, você sabe quem está falando aqui?
— Não. Quem é?
— Aqui é o Dr Paulo Machado de Carvalho.
— Ah, Dr. Paulo? E o senhor sabe quem tá falando aqui?
— Não.
— Graças a Deus! – E Durval desligou rapidinho o telefone.
Clique no player e assista a uma cena do especial A Dama das Camélias, TV Record, 1967. Dela participam Jorge Loredo [o eterno Zé Bonitinho], Hebe Camargo, Zilda Cardoso e Durval da Souza. Destaque para Durval de Souza, interpretando o afeminado Chamonix.


 

 

 

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Americana tão boazinha

51 kate liraKatherine Lee Riddell Caughey de Barbosa Lyra, nascida em Ray, no estado do Arizona, Estados Unidos, mais conhecida como KATE LYRA fez carreira no Brasil como atriz, modelo e roteirista. Era casada com o cantor e compositor Carlinhos Lyra quando foi convidada a integrar o elenco da reedição do programa Praça da Alegria, na TV Globo, em 1977. Seu personagem era o da imigrante que não percebia a malandragem do homem brasileiro sempre disposto a aproveitar-se da sua ingenuidade e beleza. O personagem – que nos anos 60 fora sucesso ao ser interpretado por Jacqueline Myrna – foi sucesso imediato e solidificou o bordão “brasileiro é tão bonzinho”. Em 1978 Kate Lyra foi capa da Status, à época um dos “musts” do filão de revistas masculinas. Para surpresa geral, a revista trazia, além das generosas fotos de Kate, um encarte com um compacto simples (pequeno disco de vinil que continha uma música de cada lado) chamado Duas Faces do amor, com Kate Lyra cantando.

Encarte Revista Status Nº 51 - 1978

Encarte Revista Status Nº 51 – 1978

Quando ChegaresRomântica

As canções “Quando Chegares” e “Romântica” eram composições de Carlinhos Lyra. Clique no player e ouça Kate Lyra cantando “Quando chegares”.   

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Marthus Mathias, a voz

Marthus Mathiasa

Marthus Mathias nasceu em Itajubá-MG, em 1927, e faleceu em Campo Grande-MS, em 1995.
Começou a carreira como radioator na Rádio Record, em 1951.
Teve uma carreira de altos e baixos, participando de radionovelas, telenovelas e vários filmes.
Sua voz forte e grave era sua marca registrada. E foi por causa da voz – quando emprestada na dublagem a um personagem de desenho – que o tornou nacionalmente conhecido. Marthus Mathias dublou Fred Flintstone, personagem do desenho Os Flintstones.
Clique no vídeo e assista a uma cena de Os Flintstones (1961) com Marthus Mathias como Fred.

Daquele ano em diante Marthus Mathias e Fred Flintstone tornaram-se praticamente uma só pessoa.
Clique no vídeo e assista ao comercial com a locução de Marthus Mathias.

Clique no video e assista a uma cena de Marthus Mathias no episódio Café Marcado da série brasileira Vigilante Rodoviário, em 1961.

Marthus Mathias participou  do filme Crônica da Cidade Amada, filme de Carlos Hugo Christensen, de 1964.
Clique no vídeo e assistia à sua cena como garçom contracenando com Walter Breda.

Marthus Mathias participou de quase uma centena de filmes (em geral, no papel de bandido). O primeiro foi o Cais do Vício, em 1953. Depois vieram Jeca Tatu, Casinha Pequenina, Os Amante da Chuva, Besame Mucho e Topo Gigio, o filme, e outros. O último foi Instrumento da Máfia, em 1988.
Também participou de telenovelas como Jerônimo, o herói do sertão (TV Tupi), A Muralha (TV Excelsior), Uma Rosa com Amor (TV Globo), Vitória Bonelli (TV Tupi) e O Espantalho (SBT).
Mas, apesar dos inúmeros trabalhos, Marthus Mathias será sempre lembrado pela sua a voz, a voz de Fred Flintstone.

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A musa de Arrarraquarra

Jacqueline Myrna 1965

Jacqueline Myrna é seu nome. Nasceu em Bucareste, na Romênia, em 04 de Dezembro de 1949, mas passou boa parte da infância na França. Veio para o Brasil com menos de 15 anos e aqui tornou-se um fenômeno em televisão, teatro, rádio e cinema.
Segundo ela, na época, um produtor sugeriu que aumentasse a idade para evitar problemas com o juizado de menores. Por isso, em algumas reportagens, seu nascimento aparece datado como 1944. Mas esse detalhe não foi suficiente para o ucraniano Konstantin Tkaczenko, diretor cinematográfico, que convidou aquela ainda menina para participar do filme Amor na Selva, em 1961.
Dona de sorriso contagiante, rosto de menina e corpo de mulherão, Jacqueline não demorou a conquistar o meio artístico. Ela era dançarina, tocava violão e piano, falava correntemente inglês, espanhol, italiano, francês, português e, claro, romeno. Começou na TV como bailarina, inicialmente fazendo parte do programa Moacyr Franco Show, na TV Excelsior-SP.

Moacyr Franco Show - Jacqueline é a segunda da esquerda para a direita.

Moacyr Franco Show – Jacqueline é a segunda da esquerda para a direita.

Embora falasse relativamente bem o português, Jacqueline carregava nos “erres” ao falar. E foi Moacyr Franco quem resolveu convidá-la para participar do seu famosos quadro chamado O Taxista. No quadro, Moacyr interpretava um taxista que só aceitava levar mulher em seu táxi, chamado por ele de viatura. Percebendo que Jacqueline tinha forte sotaque, Moacyr lhe dava algumas palavras pontuais para falar. Em geral, era palavras que tinham o “erre”. Até que, certo dia, ele sugeriu que ela dissesse Araraquara. Programa ao vivo, TV Excelsior, era primeiro lugar em audiência às quintas-feiras. Quando Jacqueline falou, o que se ouviu foi “Arrarraquarra”. Foi uma explosão de gargalhadas.
Dali para frente, Jacqueline passou a ter participação constante no programa de Moacyr e em vários outros da emissora. Além de sua beleza e simpatia, o público esperava com ansiedade que ela dissesse a palavra mágica: Arrarraquarra. Não precisava nem de contexto, afirmou a própria Jacqueline em recente entrevista, direto do EUA, dada a mim e a ao jornalista Marcelo Duarte, no programa “Você é Curioso?” da Rádio Bandeirantes. “Bastava eu dizer Arrarraquarra e todos caíam na gargalhada”.
Jacqueline Myrna foi contemplada com o Troféu Roquette Pinto como revelação artística feminina do ano de 1963.

Revista Intervalo - 1964

Revista Intervalo – 1964

E aquela “francesinha de Arrarraquarra”, como era conhecida, que havia começado em teatro de revista como bailarina, passou de  figurante para vedete; depois para atriz de comédia.

Jornal A Noite - 1964

Jornal A Noite – 1964

Como não podia deixar de ser, havia grande expectativa de que o sex-simbol da tevê fizesse strip-tease nos famosos shows de boates top. Isso nunca aconteceu, embora mas não tivessem faltado tentativas. 

Revista Intervalo - 1966

Revista Intervalo – 1966

Jacqueline saía dos padrões das atrizes e vedetes da época: gostava de tricotar e assumia ser devota de São Jorge. E numa época em que mulher de corpão parecia nada ler, ela lia Steimbeck e Carlos Heitor Cony. 

Jacqueline Myrna

Outro sucesso de Jacqueline Myrna aconteceu em 1965 em Praça da Alegria, na TV Record, contracenando com Manoel de Nóbrega. Jacqueline fazia a personagem da imigrante inocente, surgindo ali o bordão “brasileiro é tão bonzinho” (que quase uma década depois faria sucesso com Kate Lyra, na Praça da Alegria, na TV Globo). Mas Arrarraquarra continuava insuperável. Alguns dos programas que ela fez em televisão:
Moacyr Franco Show – TV Excelsior
Praça da Alegria – TV Record
Grande revista – TV Rio
Times Square – TV Rio
É Uma Graça, Mora – TV Record
Viva o Vovô Deville – TV Rio
Hotel do Sossego – TV Record

Hotel do Sossego - 1969 Walter D'Ávila e Jacqueline

Hotel do Sossego – 1969
Walter D’Ávila e Jacqueline

O sucesso de Jacqueline Myrna a levou a gravar duas músicas, em 1964. Você poderá ouvi-las na sessão Pérolas Sonoras aqui do blog.

Revista do Rádio - 1965

Revista do Rádio – 1965

O sotaque sensual a levou para comandar um programa no rádio chamado “Jacqueline Mon Amour”. O programa era transmitido pela Rádio Excelsior.  Inicialmente Jacqueline dialogava com o radialista e produtor Henrique Lobo. Depois passou a dialogar diretamente com os ouvintes, como se falasse exclusivamente a cada um deles. O programa, diário, ficou no ar por dois anos.

Jacqueline Myrna 1 (2)

Jacqueline Myrna foi eleita duas vezes uma das Certinhas do Lalau, em 1963 e 1965. Jacqueline também está na sessão Certinhas do Lalau, aqui neste blog.  

Última Hora - 1965

Última Hora – 1965

Aos poucos, Jacqueline Myrna foi se firmando também como atriz dramática. Participou da novela A Indomável, na TV Excelsior, em 1967. Esse convite era fruto de seus sucesso no filme As Cariocas, de Walter Hugo Kouri, em 1966. No mesmo ano ela faria o filme A Desforra, de Gino Palmisano.

Revista do Rádio - 1966

Revista do Rádio – 1966

Em 1968, com o mesmo Walter Hugo Khouri, Jacqueline voltava às telas no filme As Amorosas. Clique no vídeo abaixo e assistia a uma cena com sua participação (dublada) no filme ao lado do ator Paulo José.

O filme lhe valeu o título de a Marylin Monroe Brasileira.
Com a carreira cada vez mais em ascensão, no início dos anos 70 Jacqueline iria para os Estados Unidos a trabalho, mas voltaria ainda para fazer o filme Confissões do Frei Abóbora, estrelando ao lado de Tarciso Meira, em filme dirigido por Braz Chediak. Clique no vídeo abaixo e veja uma cena de Jacqueline Myrna (novamente dublada) em seu último trabalho no Brasil. 

Depois de haver feito o filme, Jacqueline voltou para os Estados Unidos e nunca mais retornou ao Brasil. Foi na América do Norte de que nasceu sua filha, Victoria, que lhe deu três netos. Por ali ela é conhecida como Jackie Mitler (sobrenome de seu primeiro marido). Entretanto, a recente entrevista dada á Rádio Bandeirantes a fez adotar seu nome de solteira no perfil do Facebook.
Mas para os fãs do Brasil, que até hoje se manifestam, ela sempre sempre a Jacqueline Myrna, a francesinha de Arrarraquarra.    

 

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